• Nathalia Souto

Ressignificando o Verde e Amarelo

Nesses últimos anos, temos visto o quanto as cores verde-amarelo têm sido atreladas a posicionamento político, se tornando algo polêmico e separando a população por conta de suas opiniões divergentes quanto ao governo atual. Mas com as olimpíadas, tiveram mudanças claras de como nos sentimos em relação às cores da nossa bandeira. O foco deixou de ser político e voltou a ser atrelado ao esporte de fato.

Com as diversas conquistas inéditas do Brasil nessas Olimpíadas de Tóquio, o desempenho de nossos atletas com certeza ficará marcado na história do nosso esporte. Ao atingirem novos patamares dentro das olimpíadas, o orgulho do brasileiro fez com que olhássemos para nossa camisa com outros olhos. O esporte está unindo novamente a população e fazendo com que todos voltem a ter afeto pelo verde-amarelo, por simbolizar nossas novas conquistas.


Para lembrar do sentimento, aqui vai uns exemplos:


O orgulho da estreia do surfe nas olimpíadas já ter sido com o ouro do brasileiro Ítalo Ferreira


A admiração pela Rayssa Leal, a fadinha do skate, que impressiona por ter conseguido o prata com apenas 13 anos


A alegria pela Rebeca Andrade ter sido a primeira brasileira a ganhar uma medalha na ginastica artística feminina, recebendo prata também


E até mesmo a comoção pela judoca Maria Portela ter sido eliminada após a luta polêmica contra sua oponente russa, que se estendeu por 15 minutos

Entre diversos outros sentimentos gerados pelos acontecimentos que vimos nos últimos dias (e aqueles que ainda vamos ver). A paixão e excitação sentidas são tão contagiantes que o esporte se torna comovente a todos, mesmo aqueles que não praticam nenhum sentem a vontade de torcer pelo país. Esses sentimentos fizeram com que o uso da camisa do nosso país voltasse a ter relação direta com nosso desempenho esportivo.


Como você se sente depois de ver todas as competições? Porque eu me sinto assim:



É importante observarmos essas ressignificações, pois é algo comum que o ser humano faz. Essa mudança de comportamento pode ser muito vista na moda também, por exemplo, onde é até afirmado que a moda é “cíclica”, pois as tendências vão e voltam o tempo todo, podendo ter um novo significado, ou trabalhar uma ideia já apresentada antes.


Essa dinâmica funciona basicamente assim:

1) uma coisa é criada com uma proposta, em que faz sentido dentro daquele período que ela pertence;

2) depois de um tempo, aquele contexto não faz mais sentido para a população no geral, sendo deixado de lado;

3) em outro momento, um grupo vê que tal coisa pode fazer se encaixar novamente no contexto que estão vivendo (podendo ser mantido tanto o sentido original, quanto com uma proposta nova, como comentado anteriormente);

4) deixa de ter um propósito condizente com a época vivida novamente;

5) volta a ter um motivo para essa ideia ser aceita pela população, e assim por diante.


Dando um exemplo claro, utilizando, a própria situação da camisa brasileira, teríamos cada etapa assim:

1) em momentos onde se tem competições e grandes eventos mundiais (ex: copa, olimpíada), a população no geral adota o uso da camisa pela vibração que esse período transmite;

2) o evento passa e essa valorização do esporte com o sentimento de união é deixado de lado, então as pessoas param de usar a camisa;

3) um grupo político acredita que o uso da camisa do brasil representa os ideais que eles presam se apoderando dela;

4) essa ideia não atende toda a população, e vai enfraquecendo durante o tempo;

5) as olimpíadas chegam e todos voltam a usar o verde-amarelo, mas pelo orgulho a nação.


É lindo ver como o esporte une grupos em prol de um mesmo objetivo, atendendo a maioria por uma bela causa. Desde esportistas até pessoas sedentárias, em momentos como esse realmente conseguimos ver as pessoas se unindo para exaltar nossos atletas. Continuem acreditando no potencial brasileiro!

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